quarta-feira, março 11, 2009

Onde usar uma mini-saia de lã

Quando tinha 13, 14, 15 anos dançava-se a lambada, usávamos mini-saias de lã pirosas, e trocávamos cartas com amores platónicos, porque ainda não existia email, nem telemóveis, logo era impensável escrever um sms ou enviar um mms.

Os rapazes tinham de se sujeitar a ver-nos de mini-saia na escola, nas festas...sublinhe-se matinés, que decorriam das 16h às 20h, no limite da loucura, e as "danceterias" tinham obrigatoriamente de fechar às 20h, nem mais nem menos.


Eu inventava contastantes festas de liceu, a festa da lambada, a festa do rock, a festa da madonna, a festa do house, o desfile de moda da loja Porfírios, onde as meninas e meninos com menos borbulhas na cara desfilavam na passerelle criada propositadamente na sala de convívio do liceu... onde orgulhosamente dançávamos ritmos animados dos Bros, e olhávamos de lado para "AQUELE" rapaz


Nesta altura havia eleições da lista A e lista B, para a comissão de estudantes, e usávamos orgulhosamente os autocolantes ao peito da nossa lista de eleição, que normalmente era a que tinha rapazes mais giros, de preferência com scooters e ainda mais se já tivessem uma DT ou NSR... Loucura o que as 50 cc faziam nessa altura.


Os rapazes com mota tinham a beleza potenciada por duas rodas, e em troca deixávamos que eles nos olhassem para as pernas, as minhas nessa altura possivelmente ainda não depiladas... ou será que estavam...não sei mas isso não era o que mais me me importava na altura...


quinta-feira, março 05, 2009

Ufa...


Adormeci de manhã

Perdi o combóio

Perdi o metro

Perdi a paciência

Cheguei atrasada

Transpirada

Estafada

e Irritada


Só me resta transformar-me em coelho e acordar no país da Alice

terça-feira, março 03, 2009

Gosto disto...

Gosto de combóios, mas daqueles que passam a correr pelas terriolas, e mal nos deixam ler o nome.

Gosto de adivinhas, e de me lembrar que já passei por um sítio tantas vezes, mas que parece sempre ser a primeira vez que ali chego.

Gosto de pão quente, com manteiga a derreter, num dia frio de Inverno, em que se vê o fumo pelas chaminés.

Gosto de ouvir música nos fones, e imaginar telediscos enquanto caminho, criando inúmeras histórias à minha volta.

Gosto de mastigar pastilhas, sejam chicletes ou super gorila. Gosto de fazer grandes balões e rebentá-los, depois de encher a boca até não poder mais.

Gosto de enterrar os pés descalços na areia e de mergulhar no mar pela primeira vez no ano.

Gosto de omeletes, ovos mexidos e cozidos, com pão, azeite, batatas fritas com ketchup, e de gelados, muitas bolas coloridas numa taça, com chatilly e canudos de baunilha crocantes.

Gosto de camisolas quentes no Inverno, e de gola alta, e de chinelos coloridos no Verão, que mostram os meus dedos dos pés e as unhas pintadas de vermelho.

Gosto de dançar sozinha, quando ninguém está a ver, e de rodopiar com músicas árabes, flamencas, indianas e celtas.

Gosto de me apaixonar, de chorar a rir, até fazer doer a barriga, e de descalçar as botas ao fim do dia e esticar os dedos, pôr os pés em cima das almofadas, enrolar-me no sofá com uma manta, estrategicamente colocada em cima do radiador a óleo e puxar os meus gatos para cima das orelhas...para me adormecerem ao som do ronronar...enquanto passa uma série policial na TV.

Enfim...gosto de viver com coisas simples...

terça-feira, fevereiro 24, 2009

Para quando o carnaval chegar...

Confesso que desde miúda me habituei a festejar o Carnaval, e gosto de fazê-lo, conto que isto aconteça enquanto as minhas pernas se consigam mexer, os meus olhos ver, a minha boca cantar e o meu corpo sentir.

Por muito que o critiquem é um dos poucos dias do ano em que conseguimos ver a côr de cada um de nós, em que deixamos extrapolar o nosso alter-ego, soltamos serpentinas, confetis ao mesmo tempo que limpamos tristezas e enterramos o Inverno da nossa alma, na esperança de ver surgir a Primavera no dia que nasce...depois da folia.


Serpentinas e confetis lembram-me a minha infância, esta manhã viajei até uns bons anos atrás quando olhei para os rolinhos coloridos, e me lembrei como as soltava e pendurava pelos estendais.


Lembro-me perfeitamente das gargalhadas que os miúdos soltavam sempre que enchiamos os balões de água e acertávamos num dos mais distraídos, fazíamos estoirar estalinhos e desinquietavamos a vizinha do 4º esquerdo, que se queixava aos nossos pais, mas que no fundo não podia passar sem nós.


Eram tempos tão fáceis, as serpentinas, os balões e os confetis não eram virtuais. Não tínhamos TV por cabo nem internet, brincávamos sozinhos na rua, e os nossos pais não eram obrigados a usar cintos de segurança.
Os carros andavam mais devagar, o que nos dava tempo de borrifar quem passava, mas também apreciar a paisagem, porque não tínhamos mp3, e o rádio do carro só funcionava em AM, mas acredito quer éramos felizes, brincávamos na rua, mascarávamo-nos de princesas e bruxas, de super-heróis e vilões, comíamos bombocas e éramos magros... Ninguém nos falava em pedofilia, e para sabermos o que era a guerra tínhamos de ver no dicionário, porque havia coisas muito melhores para fazer e pensar.


Crescemos, tornámo-nos chatos e passámos a ter vergonha de brincar. Continuo a gostar fazê-lo, porque neste dia posso voltar aos estendais, aos balões de água e às serpentinas, e digo, em defesa desta festa...se não houvesse Carnaval como é que alguém se podia ter inspirado e composto tal poema..."Manhã de Carnaval"

domingo, fevereiro 22, 2009

terça-feira, fevereiro 17, 2009

Como nascem os atacadores púrpura

Já me lembrei muitas vezes de muitos pormenores, que passeiam livremente, e diariamente, pelo meu subconsciente. Dizem os entendidos que o nosso cérebro memoriza cada instante captado pelo nosso olhar, mas que o guarda no nosso subconsciente, para que o consciente não entre em sobrecarga, e nos aconteça o que vulgarmente se apelida de "virar a boneca", "passar-se para o outro lado", "dar-lhe a travadinha" .
Tudo isto serve para me relembrar de uns atacadores púrpura que vi no outro dia. Viviam nos pés de um habitante vestido de preto, cuja diferença residia apenas nos atacadores púrpura que as suas sapatilhas usavam.
Esses pés tinham possivelmente 20 anos, se calhar nem tanto, a avaliar pelas borbulhas que habitavam o tom lívido de uma face adornada de uns óculos, quase tão transparentes, como a sua própria existência.
Olhava para mim e o seu estado de alma não sei que côr teria, mas parece-me que os atacadores eram a unica cor que timidamente habitava aquele espírito, ou não fosse a côr púrpura a dita cor, daqueles que mais evoluídos são espiritualmente.
Na minha opinião o púrpura é apenas uma cor envergonhada, quase tanto como a do habitante das sapatilhas, emolduradas por uns atacadores que, com ou sem vergonha não se importavam de lhe apertar os pés.
O púrpura é a indecisão cromática de um azul pacifista e de um vermelho apaixonado. O púrpura é uma paixão refreada pela paz azul, de um vermelho que não se quer envolver muito.
A paixão roxa nasceu do vermelho apaixonado e da paz do azul pacífico e distraído, e transformou-se em atacadores...que atacam as sapatilhas mais tímidas, negras e as almas transparentes, ocupadas por insconscientes que captam tudo, até ao momento em que deixam de olhar para mim, e olham para as sapatilhas...já desatadas

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

domingo, fevereiro 15, 2009

Hoje ...devagar

Hoje há mais um bocadinho de mim que morre, mas aquela morte tranquila, que vem devagar, que nos avisa, que nos faz pensar que a cada dia que passa há mais uma luz que se apaga.

Hoje, no dia que chamei por ti a última vez, a minha voz já pareceu não conseguir gritar com tanta força, há palavras que fazem doer os ouvidos e a garganta...mas piores são as que fazem doer a alma.


Já calcei e descalcei os sapatos uma e outra vez, já me levantei de noite muitas vezes para me ir embora, mas ainda não tive coragem, não sei porquê...
Será que é o amor que nos apega à inexactidão de sentimentos. Será que quando amamos a nossa razão fica de tal modo entorpecida que não somos capazes de dar mais um passo, sem que o coração doa...naquela dor insuportável, que nos faz faltar o ar, que nos prende os movimentos, que não nos deixa ouvir...e que nos faz chorar quando nos fazem sentir a loucura que não temos dentro de nós...apenas uma dor...muito aguda...que aleija sempre no mesmo sítio.

Ode às mulheres da minha vida


São muitas, algumas já nem me lembro do nome. As minhas antepassadas perdem-se na linha do tempo e por isso lhes peço desculpa. Beatriz, Ema, Maria, Carolina, Catarina, Joaquina,Piedade...algumas que me lembro, ainda trocámos olheres confidências, ou pelo menos ouvi algumas das suas histórias. Corre em todas elas o sangue lusitano, oriundo de Lisboa, Ribatejo, Minho, Raia de Espanha, e até galego...este aqui mais antigo e ibérico.
Venderam fruta, fizeram contrabando de café, choraram com um filho morto nos braços, entre as águas do rio Minho, nessa altura era proibido comprar café e vendê-lo fora de fronteira. Deixaram os filhos com outros filhos, e viajaram pelas terras com os maridos, vendiam peles e castanha e feijão, e com olhos azuis e verdes, e cabelos negros e ruivos morreram por amor (...se calhar também mataram...de desgosto).
Não casaram, foram mães de filhos de pais que não o queriam ser, casaram por amor e sem ele, casaram para fugir ao trabalho do campo e cuidaram das quintas, da terra, da vinha...até roubaram um marido a Deus, que não resistiu a uma pele branca e cabelos cor de cobre.
Esguias, altas, mas também morenas e roliças, todas elas são exemplos de valentia e prova disso é a mãe, a minha, que por vontade do destino se dedica hoje às artes, para contrariar um desejo que viu impedido quando era ainda miúda.
Aprenderam a costurar, bordar, coser e cerzir, a cozinhar e a cuidar deles, mas vestiram calças, andaram com juntas de bois, arregaçaram as mangas e disseram que não muitas vezes (outras houve...que disseram que sim). Graças a todas e a cada uma delas sou a mulher que sou, e graças a um gene forte ergo a cabeça e orgulho-me em ser mulher.
Choraram, perderam filhos, ou tiraram-nos simplesmente para não faltar mais pão às bocas que já tinham de alimentar. Usaram saia comprida, corpete e mini-saia, mas foram sempre senhoras. Lutaram e lutam ainda hoje por sonhos, passam a mensagem de que a vida é uma passagem, um pequeno legado que vamos deixar, de gene em gene, de sorriso em sorriso, de lágrima em lágrima.
Choraram, sim, muitas vezes, de alegria e outras de tristeza, muitas em silêncio, e outras em solidão, mas sempre acalentando a esperança que o dia depois de amanhã vai ser melhor, com mais um pão para comer, um filho para criar, um companheiro para manter, mas sobretudo para encher de força cada uma das gerações, com o legado do nome que um dia abdicaram por amor.
Duarte, Vasconcelos, Lourenço e Paixão, são alguns dos nomes que deixaram para trás, mas que eu carrego ainda e sempre no meu sangue! Obrigada mães, sem vocês não seria a mulher em que hoje me tornei, e por todas vós hei-de ser...um pouco mais.

sábado, janeiro 10, 2009

Eu sou...




"Sou como cada um me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania, depende de quando e como me vês passar."