terça-feira, fevereiro 24, 2009

Para quando o carnaval chegar...

Confesso que desde miúda me habituei a festejar o Carnaval, e gosto de fazê-lo, conto que isto aconteça enquanto as minhas pernas se consigam mexer, os meus olhos ver, a minha boca cantar e o meu corpo sentir.

Por muito que o critiquem é um dos poucos dias do ano em que conseguimos ver a côr de cada um de nós, em que deixamos extrapolar o nosso alter-ego, soltamos serpentinas, confetis ao mesmo tempo que limpamos tristezas e enterramos o Inverno da nossa alma, na esperança de ver surgir a Primavera no dia que nasce...depois da folia.


Serpentinas e confetis lembram-me a minha infância, esta manhã viajei até uns bons anos atrás quando olhei para os rolinhos coloridos, e me lembrei como as soltava e pendurava pelos estendais.


Lembro-me perfeitamente das gargalhadas que os miúdos soltavam sempre que enchiamos os balões de água e acertávamos num dos mais distraídos, fazíamos estoirar estalinhos e desinquietavamos a vizinha do 4º esquerdo, que se queixava aos nossos pais, mas que no fundo não podia passar sem nós.


Eram tempos tão fáceis, as serpentinas, os balões e os confetis não eram virtuais. Não tínhamos TV por cabo nem internet, brincávamos sozinhos na rua, e os nossos pais não eram obrigados a usar cintos de segurança.
Os carros andavam mais devagar, o que nos dava tempo de borrifar quem passava, mas também apreciar a paisagem, porque não tínhamos mp3, e o rádio do carro só funcionava em AM, mas acredito quer éramos felizes, brincávamos na rua, mascarávamo-nos de princesas e bruxas, de super-heróis e vilões, comíamos bombocas e éramos magros... Ninguém nos falava em pedofilia, e para sabermos o que era a guerra tínhamos de ver no dicionário, porque havia coisas muito melhores para fazer e pensar.


Crescemos, tornámo-nos chatos e passámos a ter vergonha de brincar. Continuo a gostar fazê-lo, porque neste dia posso voltar aos estendais, aos balões de água e às serpentinas, e digo, em defesa desta festa...se não houvesse Carnaval como é que alguém se podia ter inspirado e composto tal poema..."Manhã de Carnaval"