terça-feira, janeiro 19, 2010

Memórias de franja


Na altura em que usava franja e cabelo curto (agora gostava de voltar a pôr a franja, mas nem que viesse o papa cortava os meus longos cabelos naturais, sempre confundidos com extensões pelas invejosas das cabeleireiras) e dava por baixo da cintura à minha mãe (vá...um pouco acima dos joelhos...às vezes ainda gosto de me sentir assim com ela, quando conversamos) passeávamos muito na rua, e a minha mãe teimava em levar-me a um salão de cabeleireiro em Lisboa, que vá lá saber-se o porquê, não gostava nada.


Numa das idas ao baeta, para cortar a franja, eis que entro no salão, aparentemente bem comportada, e a senhora empregada muito simpática prepara-se para me lavar a cabeça. Lembro-vos que naquela altura dezenas de senhoras secavam o cabelo naqueles secadores fixos enormes, faziam mise en plix e punham centenas de rolos...dando ao cabeleireiro uma imagem alienígena totalmente fora da realidade de uma criança de 4 ou cinco anos.


Eis se não quando desato num berreiro, a pedir à minha mãe para me levar dali, pois não queria que me lavassem a cabeça numa sanita e me pusessem a secar o cabelo numa batedeira de bolos...Vá-se entender...as crianças têm razões que a própria razão desconhece...e convenhamos que não estão muito fora da realidade...

quarta-feira, janeiro 13, 2010

Problemas de Expressão

Já alguma vez vos passou pela cabeça que a língua que falam pode não ser compreendida por toda a gente? E que nem sempre aquilo que dizemos é aquilo que os outros ouvem, ou aquilo que os outros ouvem nem sempre é aquilo que gostávamos que ouvissem.

Creio que nos últimos tempos, tal como a fabulosa e velhinha música dos Clã, ando com um "Problema de Expressão". Não porque não saiba o que quero dizer, não por não saber o que digo, não por não saber o que os outros deviam ouvir, mas porque as minhas mensagens nunca chegam ao destinatário certo, ou então chegam...mas não da forma como gostaria.


Já pensei em reaprender semiótica, linguística e neurolinguística...mas acho que só ia complicar, ainda mais o sistema comunicacional.

quarta-feira, dezembro 23, 2009

Natal Interior por Gauss


É no milagre de Natal
Que feito larva em metamorfose
Criamos asas e voamos num sonho
De um mundo melhor,
De amor ao próximo,
de bondade plenas e cortesias
a esmo

E se não for assim
que sequer brilhem as luzes
Do nosso pinheirinho interior

Gauss

quinta-feira, dezembro 17, 2009

joanetes, talentos, calosidades e obstinações

Um reflexologista olhava para os pés de muita gente, que insistia em tirar as meias e mostrar calosidades e joanetes. A conclusão era sempre a mesma... joanetes, fuga do ideal de vida, da vocação do que estava previsto, contrariedade. Já as calosidades são o mesmo que dizer obstinações.
Agora se avaliarmos que cada zona do nosso pé em reflexologia está directamente ligada a uma zona ou orgão vital no corpo, se calhar começamos a ver as origens dos nossos problemas. E não vale ir ao reflexologista depois de sair da esteticista, porque os calos vão nascer enquanto perdurarem as obstinações...

Curiosidade...são as mulheres que registam o maior número de pés com joanetes...e não tem a ver com uma questão de vaidade.

Acabei por tirar as meias... e perguntar ao reflexologista...como é que se tratam casos graves de obstinação?
Ao que ele responder, quando mudar o caminho da sua vida e começar a fazer aquilo que devia ...

quinta-feira, dezembro 10, 2009

Linhas trocadas...


Ele queria ligar para a Alexandra no banco ao lado do meu

Eu não ligava a ninguém...mas ouvia muita gente

Do outro lado uma mulher falava alto

Sobre um marido embriagado,

sobre a falta de caminho a seguir

Por não saber como chegar a casa...e se calhar...por não querer mesmo chegar


Ao meu lado ele continuava a ligar para a Alexandra...mas ela não o queria ouvir

Pelo contrário toda a gente ouvia os gritos da outra mulher desesperada...


Eu continuava a ouvir um mundo de ruídos, e não sabia bem se queria continuar a ouvir

Se afinal me bastava ver... ver se alguém me ligava... ou se punha o telefone no silêncio

para poder ouvir a mulher que ninguém queria ouvir... ou fazer de conta que era a Alexandra

e falar com ele que ligava insistentementemente para ela...sem sinal de resposta.


Saí, o comboio seguiu o comboio...ela continuou a gritar...e ele ficou em silêncio

Eu...olhei para o telefone mas não liguei para ninguém.




quinta-feira, dezembro 03, 2009

Fazer pela vida

Há quem diga que todos os dias temos de fazer pela vida.
Eu digo, existem dias em que temos de fazer para que a nossa vida mude de rumo!

Pelo menos para o rumo que queremos... sobretudo quando gostamos do mar das Caraíbas, e estamos a ver que o nosso barco está mais perto da Antártica.

Eu aos poucos e poucos tenho sentido que este meu barco tem andado a ser levado pelo forte vento Norte, e eu deixei-me levar...mas...finalmente arranjei motor...ecológico para não poluir, mas com força suficiente para me fazer ir até onde quero, nem que para isso tenha de voltar ao início da viagem.


Eu chego lá...eu sei que sim...


~
Quanto vale afinal ser uma pessoa no meio de uma multidão...será o mesmo que uma gota no meio do mar...direi que sim...muitas gostas mudam a maré, muitas pessoas fazem uma multidão, uma multidão muda mentalidades...é isso!

segunda-feira, novembro 23, 2009

sexta-feira, novembro 20, 2009

Tenho uma cabeça independente de um corpo dependente...


Há dias em que sinto

Que se a minha cabeça

Tivesse autonomia total do meu corpo

Continuava desaustinada a andar por aí

a pensar sem parar,

a fazer tudo e mais alguma coisa


Enquanto o meu corpo lhe pede... por favor...deixa-me descansar

quarta-feira, novembro 11, 2009

Duas versões para dizer duas vezes que...

Nada, nem ninguém vai mundar o meu mundo...



terça-feira, novembro 10, 2009

O Universo é um Holograma

Há nove anos atrás vivia em Paris, procurava, como ainda hoje, encontrar o sentido da vida, que segundo os Monty Pyton é algo tão simples como olhar para o "lado brilhante" ou vá sorridente...mas que para mim é muito mais do que isso, se bem que encontro muito sentido, na falta de sentido da vida dos Monty Pyton :)

No outro dia arrumava a minha estante de livros, e por isso vos falei em Paris inicialmente. Porque a história que aqui conto se passou nesta cidade. Tinha lá chegado há coisa de dias, ainda não sentia que tinha aterrado nela bem, e escolhi ao acaso um daqueles cafés em Saint Michel, que veio a revelar-se um dos meus favoritos, se bem que sinceramente não me lembro do nome... será que era mais perto do Quartier Latin? Também isso não acrescenta nada...a não ser que fosse falar de um romance tórrido com um qualquer latino, e não tem nada nem de romance, nem de tórrido, nem de latino.

Estava uma tarde ainda fresca de Abril, e eu pedi um café...que se ali se não for pedido como expresso vem numa chávena de chá, e que não tem o memso sabor do cafezinho feito pela avó naquelas cafeteiras de esmalte...com aquele cheirinho que nos acordava em miúdos na província...mas bom...continuando...
Nessa altura também tinha o hábito de fumar um ou outro cigarro, para me fazer companhia, e a minha, quer dizer, a Minolta semi-automática do meu pai andava sempre comigo.


Tudo isto para dizer que estava perdida nos meus pensamentos, no meu café, no meu cigarro e no que ia fazer no resto da tarde, quando um rapaz pergunta se se pode sentar ao meu lado e oferecer-me um livro...é verdade...eu compunha o quadro inteiro...só faltava o livro... deixei-o sentar-se, conversámos o rsto da tarde, ele seguiu para casa ele e eu para minha.
Lembrei-me hoje desta história porque também hoje me lembro que nunca cheguei a ler olivro que ele meu deu, mas tê-lo encontrado no outro dia na estante talvez queira dizer-me algo... talvez que todos estes anos depois, seja uma boa hora de o ler...

O Livro? L'Univers c'est un Holograme... de Michel Talbot

O rapaz? Nunca mais o vi!