sexta-feira, maio 01, 2009

Vida interrompida

No outro dia via um daqueles documentários sobre a natureza e a vida animal, e deslumbrei-me ao assistir à transformação de uma lagarta em crisálisa, e do esforço com que conquista tanta beleza, numa efemeridade que apenas dura entre 24 a 48 horas.

Se tudo o que fosse assim tão efémero tivesse tamanha beleza, jamais ignoraríamos um nascer e um pôr-do-sol, um beijo ao entardecer e um abraço, aquele que nos faz desfazer em lágrimas.
Se soubessemos que a beleza sacrificava a nossa vida em pouco mais que dois dias, pergunto-me, o que fazíamos de diferente, que questões colocávamos, como é que olhávamos para qualquer outra forma de existência...

"Quando o homem aprender a respeitar até o menor ser da criação, seja animal ou vegetal, ninguém precisará ensiná-lo a amar seu semelhante." - Albert Schwweitzer ( Nobel da Paz - 1952)

E agora...passando às pessoas...será que sabemos realmente qual o valor da transformação, ou continuamos a abster-nos de admirar os nossos verdadeiros dons?

domingo, abril 26, 2009

Mais um na caixa dos sonhos...

Andava eu a rebuscar a minha caixa dos sonhos, quando encontrei uma folha de papel com uma mensagem. Não sei ao certo quem escreveu, a letra era minha, mas fiz-me pensar que não podia ter sido eu, afinal existiam umas aspas...

Fiz uma busca pelo google e não encontrei nada... apenas pensava que era bom que tivesse sido eu, contudo não é isso que importa, o que importa é que alguém o tenha feito...se alguém se lembrar...diga-me... vergonha tenho de não saber quem o fez...mas teria orgulho se tivesse sido eu...


"Nem um de nós regressa de tão longe

Fitamos o sereno

Morremos em cada pássaro que nos atravessa o pensamento

E altos vamos cair noutra estrela

Podíamos ficar assim a vida toda

Podíamos amar sem nunca ter vivido

Quem sabe não perdemos por não ter dado conta.

A tristeza é uma flor que amanhece de repente

É o gesto que nos falta

E assim nos devolvemos à respiração

No pulso das coisas ficamos apenas mais tempo..."

sábado, abril 25, 2009

sexta-feira, abril 17, 2009

segunda-feira, março 23, 2009

Começo a sonhar com o verão...

...e com as chinelas nos pés, os banhos de mar e aquele arrepio quando as ondas rebentam mesmo na nossa barriga.

Começo a sonhar com o Verão...

...e com o som das noites quentes dos grilos e das cigarras, das sombras das árvores nos dias que nos fazem transpirar, e da água fresca que bebemos quando ainda encontramos uma fonte...ou uma cascata a caminho do Gerês.

Já me cheira a Santo António, que cheira a Verão, a sangria, sardinha assada e bailaricos, balões coloridos e melancia fresquinha em talhadas grossas

Já vivo no Verão...

No cheiro a praia,da pele pintada pelo sol, dos toldos às riscas brancas e azuis e do protector solar.

Já sonho...

Com a areia fininha e o sal que fica nas pestanas, com pôr do sol e as sestas na cama de rede, dos calções, dos biquinis e da nudez do mar azul a perder de vista e do céu a perder-se de estrelas, e de acordar, quando o dia nasce e me preparo para ...

as chinelas nos pés, os banhos de mar e aquele arrepio quando as ondas rebentam mesmo na nossa barriga...








quarta-feira, março 11, 2009

Onde usar uma mini-saia de lã

Quando tinha 13, 14, 15 anos dançava-se a lambada, usávamos mini-saias de lã pirosas, e trocávamos cartas com amores platónicos, porque ainda não existia email, nem telemóveis, logo era impensável escrever um sms ou enviar um mms.

Os rapazes tinham de se sujeitar a ver-nos de mini-saia na escola, nas festas...sublinhe-se matinés, que decorriam das 16h às 20h, no limite da loucura, e as "danceterias" tinham obrigatoriamente de fechar às 20h, nem mais nem menos.


Eu inventava contastantes festas de liceu, a festa da lambada, a festa do rock, a festa da madonna, a festa do house, o desfile de moda da loja Porfírios, onde as meninas e meninos com menos borbulhas na cara desfilavam na passerelle criada propositadamente na sala de convívio do liceu... onde orgulhosamente dançávamos ritmos animados dos Bros, e olhávamos de lado para "AQUELE" rapaz


Nesta altura havia eleições da lista A e lista B, para a comissão de estudantes, e usávamos orgulhosamente os autocolantes ao peito da nossa lista de eleição, que normalmente era a que tinha rapazes mais giros, de preferência com scooters e ainda mais se já tivessem uma DT ou NSR... Loucura o que as 50 cc faziam nessa altura.


Os rapazes com mota tinham a beleza potenciada por duas rodas, e em troca deixávamos que eles nos olhassem para as pernas, as minhas nessa altura possivelmente ainda não depiladas... ou será que estavam...não sei mas isso não era o que mais me me importava na altura...


quinta-feira, março 05, 2009

Ufa...


Adormeci de manhã

Perdi o combóio

Perdi o metro

Perdi a paciência

Cheguei atrasada

Transpirada

Estafada

e Irritada


Só me resta transformar-me em coelho e acordar no país da Alice

terça-feira, março 03, 2009

Gosto disto...

Gosto de combóios, mas daqueles que passam a correr pelas terriolas, e mal nos deixam ler o nome.

Gosto de adivinhas, e de me lembrar que já passei por um sítio tantas vezes, mas que parece sempre ser a primeira vez que ali chego.

Gosto de pão quente, com manteiga a derreter, num dia frio de Inverno, em que se vê o fumo pelas chaminés.

Gosto de ouvir música nos fones, e imaginar telediscos enquanto caminho, criando inúmeras histórias à minha volta.

Gosto de mastigar pastilhas, sejam chicletes ou super gorila. Gosto de fazer grandes balões e rebentá-los, depois de encher a boca até não poder mais.

Gosto de enterrar os pés descalços na areia e de mergulhar no mar pela primeira vez no ano.

Gosto de omeletes, ovos mexidos e cozidos, com pão, azeite, batatas fritas com ketchup, e de gelados, muitas bolas coloridas numa taça, com chatilly e canudos de baunilha crocantes.

Gosto de camisolas quentes no Inverno, e de gola alta, e de chinelos coloridos no Verão, que mostram os meus dedos dos pés e as unhas pintadas de vermelho.

Gosto de dançar sozinha, quando ninguém está a ver, e de rodopiar com músicas árabes, flamencas, indianas e celtas.

Gosto de me apaixonar, de chorar a rir, até fazer doer a barriga, e de descalçar as botas ao fim do dia e esticar os dedos, pôr os pés em cima das almofadas, enrolar-me no sofá com uma manta, estrategicamente colocada em cima do radiador a óleo e puxar os meus gatos para cima das orelhas...para me adormecerem ao som do ronronar...enquanto passa uma série policial na TV.

Enfim...gosto de viver com coisas simples...

terça-feira, fevereiro 24, 2009

Para quando o carnaval chegar...

Confesso que desde miúda me habituei a festejar o Carnaval, e gosto de fazê-lo, conto que isto aconteça enquanto as minhas pernas se consigam mexer, os meus olhos ver, a minha boca cantar e o meu corpo sentir.

Por muito que o critiquem é um dos poucos dias do ano em que conseguimos ver a côr de cada um de nós, em que deixamos extrapolar o nosso alter-ego, soltamos serpentinas, confetis ao mesmo tempo que limpamos tristezas e enterramos o Inverno da nossa alma, na esperança de ver surgir a Primavera no dia que nasce...depois da folia.


Serpentinas e confetis lembram-me a minha infância, esta manhã viajei até uns bons anos atrás quando olhei para os rolinhos coloridos, e me lembrei como as soltava e pendurava pelos estendais.


Lembro-me perfeitamente das gargalhadas que os miúdos soltavam sempre que enchiamos os balões de água e acertávamos num dos mais distraídos, fazíamos estoirar estalinhos e desinquietavamos a vizinha do 4º esquerdo, que se queixava aos nossos pais, mas que no fundo não podia passar sem nós.


Eram tempos tão fáceis, as serpentinas, os balões e os confetis não eram virtuais. Não tínhamos TV por cabo nem internet, brincávamos sozinhos na rua, e os nossos pais não eram obrigados a usar cintos de segurança.
Os carros andavam mais devagar, o que nos dava tempo de borrifar quem passava, mas também apreciar a paisagem, porque não tínhamos mp3, e o rádio do carro só funcionava em AM, mas acredito quer éramos felizes, brincávamos na rua, mascarávamo-nos de princesas e bruxas, de super-heróis e vilões, comíamos bombocas e éramos magros... Ninguém nos falava em pedofilia, e para sabermos o que era a guerra tínhamos de ver no dicionário, porque havia coisas muito melhores para fazer e pensar.


Crescemos, tornámo-nos chatos e passámos a ter vergonha de brincar. Continuo a gostar fazê-lo, porque neste dia posso voltar aos estendais, aos balões de água e às serpentinas, e digo, em defesa desta festa...se não houvesse Carnaval como é que alguém se podia ter inspirado e composto tal poema..."Manhã de Carnaval"

domingo, fevereiro 22, 2009